quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Temos que aprender a ser humildes perante o voto do povo

Durante a semana passada, o Senhor Presidente Mahmoud Ahmadinejad participou nas cerimónias oficiais e iníciou o décimo mandato da presidência do Irão. Para mais quatro anos, o Presidente Ahmadinejad terá a responsabilidade para dirigir o Irão. As eleições realizadas no dia 12 de Junho foram as trigésimas primeiras eleições dos trinta anos da vida da República Islâmica do Irão e a taxa da participação dos eleitores atingiu os 85%. A grande participacão do povo iraniano desmostrou o seu grande interesse inédito no destino do seu país e, assim, permite aos países democráticos do mundo comparar a taxa de participação dos iranianos com as dos outros países.

Ao contrário de alguns países, no Irão, a participação nas eleições não é obrigatória. Por isso, a participação maciça do povo iraniano prova o seu interesse incondicional para o seu estado. Sem qualquer escolha ou sugestão para um dos candidatos, o Líder do Irão, o Ayatollah Ali Khamenei, apenas tinha pedido a participação maciça do povo. O Estado iraniano tinha preparado as eleições com diversos meios, como os debates directos entre os candidatos, que foram vistos pelos 50 milhões de iranianos. Todos os preparativos encorajaram e motivaram o povo para uma participação maciça nas eleições. Queremos que os observadores internacionais e os médias digam em quais dos países do mundo e em que democracias antigas o povo participa nas eleições neste nível.

Mais importante ainda, para perceber o poder do povo em qualquer país, temos que olhar para a sua história e a dos seus países vizinhos. Será que, com a confiança nos seus próprios sistemas, os responsáveis dos países do Médio Oriente, da Ásia e da Europa permitem um debate livre sobre todos os assuntos?

Durante os últimos quatro anos, o Presidente Ahmadinejad investiu mais nas zonas afastadas e desfavorecidas do Irão e várias vezes visitou as cidades e aldeias que nunca qualquer autoridade tinha visitado. Nenhum dos antigos presidentes do Irão tinha tomado estas iniciativas. Estes factos acrescentaram a sua grande popularidade nas pequenas cidades e aldeias do Irão. Com excepção de Teerão (o capital) e uma outra província iraniana, o Presidente Ahmadinejad teve com 63% dos votos a maioria dos votos.

Durante os últimos anos, as regras e os mecanismmos praticos da realização das eleições no Irão são as mesmas que as eleições anteriores. Também, nestas eleições, a Comissão Observadora das eleições tinha preparado os novos mecanismos para a protecção dos votos do povo e para evitar as fraudes: contagem informática em simultâneo com a contagem manual; atribuição dos códigos locais para os boletins da cada cidade e região; e, também, a observação acentuada da Comissão Observadora e a presença dos observadores dos candidatos nos locais dos votos. 92 000 representantes pessoais dos candidadtos (40 000 representantes de Senhor Moussavi que foi o principal adversário de Senhor Ahmadineja) vigiaram os locais de votação (por exemplo, no passado, na altura das eleições que deram vitória aos dois mandatos do Senhor Hashemi Rafsanjani e a um mandato do Senhor Khatami não havia presença dos representantes dos candidatos nos locais de votação).

Desde há trinta anos que a Revolução Islâmica do Irão nasceu e pôs fim aos 2500 anos da dinastia, e que tudo está baseado e apoiado no voto do povo. É de facto um ponto de partida na história milenária do Irão. A sociedade iraniana não é uma sociedade morta, muda e sem voz. As divergências existentes reflectam o dinamismo e a diversidade da sociedade iraniana. No Irão, o povo escolhe o seu Líder, o seu Presidente e até os responsáveis locais. É interessante de saber que, de acordo com o artigo 177 da Constituição da República Islâmica do Irão, a gerência do país é baseada no voto do povo. E este princípio é eterno e imúdavel.

Durante as três últimas décadas, sempre, os governos organizadores das eleições assistiram à vitória dos seus opositores. Num só olhar às tendências políticas do Ayatollah Khamenei, dos Senhores Hashemi Rafsanjani, Khatami e Ahmadinejad, percebemos que o estado iraniano reconheceu como o seu presidente quem teve a vitória nas eleições presidênciais iranianas. E ísso uma grande lição para todos.

Seria bom que os raros países, que não esconderam o seu desgosto nos resultados das eleições presidênciais do Irão e que não assistiram à vitória do seu candidato favórito, seguissem este método do sistema iraniano e respeitassem o voto do povo. Será que um dia as grandes potências aceitarão o voto do povo apesar da sua concordância ou discordância com a pessoa eleita? Será que a decisão da Comissão das Eleições dos EUA no ano 2000 (apesar dos vários protestos de Al Gore) sobre a vitória de Bush com uma pequena margem é mais importante do que a decisão da Comissão das Eleições do Irão nas quais a taxa da participação é dos 85% e que a margem da vitória é de 11 milhões de votos? Um dos países do Norte da Europa anunciou abertamente a existência das fraudes nas eleições presidências do Irão. Sem presença dos seus observadores no Irão como é possível justificar tal declaração numas eleições cuja a diferença entre os votos do vencedor das eleições com os outros candidatos é de 11 milhões?

Depois da realização das eleições, houveram protestos no Irão. Por isso, o Comité das Eleições examinou os resultados e depois de três semanas confirmou a legalidade das eleições. O Comité das Eleições, numa iniciativa sem precedente, verificou 10% das caixas dos votos e registou, pela primeira vez, o resultado de todas as 47000 caixas no seu site. Assim, em todo o território iraniano, o povo teve acesso aos resultados dos votos recolhidos no interior e exterior do país. Como se sabe, em todo o território iraniano há meios do acesso ao internet, e, ao nível mundial, o Irão é o terceiro país dos bloguistas. Na realidade, os resultados das contagens foram expostos ao povo. Foi um acto inédito nas eleições iranianas.

Como já foi mencionado aqui, os protestos, as críticas e as manifestações não são actos inéditos no Irão. Por isso, sempre foi sublinhado que as divergências das opiniões no Irão são assuntos internos e naturais no âmbito do poder do povo e que os problemas serão resilvidos internamente.

A República Islâmica do Irão é um grande poder com um dos mais antigos sistemas do poder do povo na Região. É conhecido como um país moderado que se afasta de extremismo, com um povo altamente instruido que nunca invadiu ou atacou os seus países vizinhos. Na nossa era, os países como os EUA, que são eles próprios conhecidos na instauração do extremismo, são obrigados a corrigir os seus erros e aproveitar das experiências e influência do Irão na Região. Porque procuram se salvar do impasse que eles próprios criaram. E isso, será, de certeza, possível com o voto e a vontade do povo iraniano.

Temos que ser humildes perante o voto e a escolha do povo (qualquer que seja a sua escolha). A questão é que, infelizmente, os médias estrangeiros não mostram bem a realidade iraniana e influenciam as opiniões e decisões que são limitadas nestes olhares errados. Não é por acaso que quem viaja para o Irão no regresso a sua primeira frase é: "o que vi foi totalmente diferente e oposto do que os médias relatavam!"

Rasool Mohajer
Embaixador da República Islâmica do Irão em Lisboa

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Oração de Sexta-feira de S. Ex. Ayatollah Ali Khamenei, Líder Supremo da República Islâmica do Irão

A Embaixada da República Islâmica do Irão apresenta o seuscumprimentos e tem a honra de informar que;

Nos discursos da Oração de Sexta-feira, Sua Excelência Ayatollah Ali Khamenei, o Líder Supremo do Irão explicou os problemas relacionados com as eleições presidênciais da República Islâmica do Irão. Neste discurso, o Lider declarou que os quase 40 milhões de iranianos participaram nas eleições de 12 de Junho no Irão, com uma taxa 85% de participação, e que as diferenças entre o Presidente reeleito com o seu rival eleitoral sobre os resultados das eleições, são um assunto interno das famílias iranianas. E foi pedido aos países estrangeiros para não intervirem nos assuntos internos do Irão.

O Líder Supremo considerou que a única via para seguir os protestos contra os resultados das eleições presidências do Irão é a via legal, e pediu que, em vez de chamar os apoiantes dos candidatos para as ruas e pressionar o comité das eleições, escolhessem as provas concretas sobre os seus protestos e apresenta-las à Comissão das eleições. O Ayatollah Khamenei declarou, também, que a desobedência à lei e às vias legais são o início da ditaura e uma situação perigosa para o futuro do país.

Como os assuntos e os protestos contra os resultados das eleições foram suficientemente apresentados neste discuro, é conveniente que todos os assuntos que são elaborados e divulgados nos médias sejam apresentados directamente às altas autoridades responsáveis do Irão e que as opiniões directas das altas autoridades do Irão sejam recebidas e avaliadas.

O completo discurso da Sua Excelência Senhor Ayatollah Khamenei proferido na oração de Sexta-feira está apresentado, em inglês, em:

http://www.youtube.com/watch?v=Co2r-iNMpBs

http://www.youtube.com/watch?v=jFDtmuDeIbs

Por causa de ser longo do discurso, o mesmo está apresentado em duas partes: 29 minutos iniciais do discurso, a primeira parte, está no primeiro link, e o restante, no segundo.

Além destes dois links, o resumo, em inglês, do discurso de Sua Excelência Ayatollah Khamenei encontra-se no link seguinte:

http://english.khamenei.ir//index.php?option=comcontent&task=view&id=1137

Embaixada da República Islâmica do Irão
Rua Alto do Duque, 49
1400-009 Lisboa
Tel.: 21 30 41 850
Fax: 21 30 10 777

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A CIA e o laboratório iraniano

A notícia de uma possível fraude eleitoral espalhou-se em Teerão como um rastilho de pólvora e levou à rua os partidários do aiatola Rafsanjani contra o do aiatola Khamenei. Este caos é provocado à socapa pela CIA, que semeia a confusão inundando os iranianos de mensagens SMS contraditórias. Aqui esta o relato desta experiência de guerra psicológica.

Em Março de 2000 a secretária de Estado Madeleine Albright admitiu que a administração Eisenhower havia organizado uma mudança de regime no Irão, em 1953, e que este acontecimento histórico explica a hostilidade actual dos iranianos face aos Estados Unidos. Na semana passada, aquando do seu discurso no Cairo dirigido aos muçulmanos, o presidente Obama reconheceu oficialmente que "em plena Guerra Fria os Estados Unidos desempenharam um papel na derrubada de um governo iraniano eleito democraticamente" [1] .

Na época, o Irão era controlado por uma monarquia de opereta dirigida pelo xá Mohammad Reza Pahlavi. Ele fora colocado no trono pelos britânicos, que haviam forçado o seu pai, o oficial cossaco pro-nazi Reza Pahlavi, a demitir-se. Contudo, o xá teve de ajustar-se a um primeiro-ministro nacionalista, Mohammad Mossadegh. Este, com a ajuda do aiatola Abou al-Qassem Kachani, nacionaliza os recursos petrolíferos [2] . Furiosos, os britânicos convencem os Estados Unidos de que é preciso travar a deriva iraniana antes que o país afunde no comunismo. A CIA põe então em acção a Operação Ajax visando derrubar Mossadegh, com a ajuda do xá, e substituí-lo pelo general nazi Fazlollah Zahedi, até então detido pelos britânicos. Ele instalará o regime de terror mais cruel daquela época, ao passo que o xá servirá de cobertura para as suas exacções posando para as revistas populares ocidentais.

A operação Ajax foi dirigida pelo arqueólogo Donald Wilber, pelo historiador Kermit Roosevelt (neto do presidente Theodore Roosevelt) e pelo general Norman Schwartzkopf Sr. (cujo filho homónimo comandou a operação Tempestade do Deserto). Ela permanece um modelo de subversão. A CIA imagina um cenário que dá a impressão de um levantamento popular quando se trata de uma operação secreta. O auge do espectáculo foi uma manifestação em Teerão com 8000 figurantes pagos pela Agência a fim de fornecer fotos convincentes à imprensa ocidental [3] .

A história repetir-se-ia? Washington renunciou a atacar militarmente o Irão e dissuadiu Israel de tomar uma tal iniciativa. Para chegar a "mudar o regime", a administração Obama prefere jogar a carta — menos perigosa, mas mais aleatória — da acção secreta. Após a eleição presidencial iraniana, vastas manifestações opuseram nas ruas de Teerão os partidários do presidente Mahmoud Ahmadinejad e do guia Ali Khamenei, de um lado, aos partidários do candidato perdedor Mir-Hossein Mousavi e do ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani do outro. Elas traduziam uma profunda clivagem na sociedade iraniana entre um proletariado nacionalista e uma burguesia que lamenta ser mantida afastada da globalização económica. Agindo debaixo do pano, Washington tenta pesar nos acontecimentos para remover o presidente eleito.

Mais uma vez, o Irão é um campo de experimentação de métodos inovadores de subversão. A CIA apoia-se numa arma nova: o domínio dos telefones móveis.

Desde a generalização dos telefones móveis, os serviços secretos anglo-saxões multiplicaram as suas capacidades de intercepção. Enquanto a escuta dos telefones por fio precisa da colocação de ganchos de derivação, portanto de agentes no local, a escuta dos portáteis pode ser feita à distância graças à rede Echelon. Contudo, este sistema não permite intercepção das comunicações telefónicas via Skype — daí o êxito dos telefones Skype nas zonas de conflito [4] . A National Security Agency (NSA) acaba de fazer diligências junto aos fornecedores de acesso Internet do mundo inteiro para obter a sua colaboração. Aqueles que aceitaram foram muito bem pagos [5] .

Nos países que ocupam — Iraque, Afeganistão e Paquistão —, o anglo-saxões interceptam a totalidade das conversações telefónicas quer seja emitidas por telemóveis ou por aparelhos com fio. A finalidade não é dispor de transcrições de tal ou tal conversação, mas identificar as "redes sociais". Por outras palavras, os telefones são espiões que permitem saber com quem uma dada pessoa está em relação. Partindo daí, pode-se esperar identificar as redes de resistência. Num segundo tempo, os telefones permitem localizar os alvos identificados — e "neutralizá-los".

Eis porque, em Fevereiro de 2008, os insurrectos afegãos ordenam aos diversos operadores para cessarem a sua actividade a cada dia das 17 horas às 3 da manhã, de maneira a impedir os anglo-saxões de seguirem os seus deslocamentos. As antenas-relais daqueles que contrariaram esta ordem foram destruídas [6] .

Inversamente, – excepto uma central telefónica atingida por erro –, as forças israelenses trataram de não bombardear as antenas de telemóveis em Gaza, aquando a operação Chumbo endurecido, em Dezembro/2008-Janeiro/2009. Trata-se de uma mudança completa de estratégia da parte dos ocidentais. Desde a guerra do Golfo prevalecia a "teoria dos cinco círculos" do coronel John A. Warden: o bombardeamento das infraestruturas telefónicas era considerado como um objectivo estratégico tanto para mergulhar a população na confusão como para cortar as comunicações entre os centros de comando e os combatentes. Doravante, é ao contrário: é preciso proteger as infraestruturas de telecomunicações. Durante os bombardeamentos de Gaza, o operador Jawwal [7] ofereceu crédito aos seus assinantes, oficialmente para ajudá-los, de facto no interesse dos israelenses.

Dando mais um passo, os serviços secretos anglo-saxões e israelenses desenvolveram métodos de guerra psicológica baseados na utilização extensa dos telemóveis. Em Julho de 2008, após a troca de prisioneiros e feridos entre Israel e o Hezbollah, robots lançaram dezenas de milhares de mensagens para telemóveis libaneses. Um voz em árabe advertia contra toda participação na Resistência e difamava o Hezbollah. O ministro libanês das telecomunicações, Jibran Bassil [8] , apresentou uma queixa à ONU contra esta flagrante violação da soberania do país [9] .

Com base no mesmo modelo, dezenas de milhares de libaneses e sírios receberam uma chamada automática em Outubro de 2008 propondo-lhes 10 milhões de dólares contra toda informação que permitisse localizar e entregar soldados israelenses prisioneiros. As pessoas interessadas em colaborar eram convidadas a ligar para um número no Reino Unido [10] .

Este método acaba de ser empregue no Irão para intoxicar a população difundindo notícias chocantes, e para canalizar o descontentamento que elas provocam.

Em primeiro lugar, trata-se de difundir por SMS durante a noite dos tumultos a notícia segundo a qual o Conselho dos Guardiões da Constituição (o equivalente ao Tribunal Constitucinal) havia informado Mir-Hossein Mousavi da sua vitória. A partir daí, o anúncio, várias horas mais tarde, dos resultados oficiais — a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad com 65% dos votos expressos — parecia uma fraude gigantesca. Entretanto, três dias antes, o sr. Mousavi e os seus amigos consideravam a vitória maciça do sr. Ahmadinejad como certa e esforçavam-se por explicá-la pelos desequilíbrios na campanha eleitoral. Assim, o ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani pormenorizava as suas queixas numa carta aberta. Os institutos de sondagem dos EUA no Irão prognosticavam um avanço de 20 pontos percentuais do sr. Amadinejad sobre o sr. Mousavi [11] . Em momento algum a vitória do sr. Mousavi pareceu possível, mesmo sendo provável que fraudes tenham acentuado a margem entre os dois candidatos.

. Num segundo tempo, foram seleccionados cidadãos, ou deram-se a conhecer na Internet, para conversar no Facebook ou assinar mensagens do Twitter. Eles receberam então, sempre por SMS, informações — verdadeiras ou falsas — sobre a evolução da crise política e as manifestações em curso. Eram mensagens anónimas que difundiam notícias de fuzilamentos e numerosos mortos; notícias até hoje não confirmadas. Por um infeliz azar de calendário, a sociedade Twitter devia suspender o seu serviço durante uma noite, o tempo necessário para a manutenção das suas instalações. Mas o Departamento de Estado dos Estados Unidos interveio para lhe pedir que adiasse esta operação [12] . Segundo o New York Times, estas operações contribuem para semear a desconfiança na população [13] .

Simultaneamente, num esforço novo, a CIA mobiliza os militantes anti-iranianos nos EUA e no Reino Unidos para aumentar a desordem. Um Guia prático da revolução no Irão foi-lhes distribuído. Ele inclui vários conselhos práticos, tais como:
# acertar as contas Twitter no fuso horário de Teerão;
# centralizar as mensagens nas contas Twitter @stopAhmadi, #iranelection et #gr88;
# não atacar os sítios internet oficiais do Estado iraniano. "Deixem isso para o exército dos EUA" (sic).

Uma vez aplicados, estes conselhos impedem toda autenticação das mensagens Twitter. Já não se pode saber se eles são enviados por testemunhas das manifestações em Teerão ou por agentes da CIA em Langley, e não se pode mais distinguir o verdadeiro do falso. O objectivo é criar cada vez mais confusão e levar os iranianos a lutarem entre si.

Os estados-maiores, por toda a parte do mundo, seguem com atenção os acontecimentos em Teerão. Cada um deles tenta avaliar a eficácia deste novo método de subversão no laboratório iraniano. É evidente que o processo de desestabilização funcionou. Mas não é seguro que a CIA possa canalizar os manifestantes para que eles façam por si mesmos aquilo que o Pentágono recusou fazer e que eles não têm qualquer vontade de fazer: mudar o regime, acabar com a revolução islâmica.
17/Junho/2009
[1] "Discours à l'université du Caire" , por Barack Obama, Réseau Voltaire, 4 juin 2009.
[2] "BP-Amoco, coalition pétrolière anglo-saxonne" , par Arthur Lepic, Réseau Voltaire, 10 juin 2004.
[3] Sobre o golpe de 1953, a obra de referênci é All the Shah's Men : An American Coup and the Roots of Middle East Terror, par Stephen Kinzer, John Wiley & Sons éd (2003), 272 pp. Para os leitores francófonos, assinalamos o último capítulo do livro recente de Gilles Munier, Les espions de l'or noir , Koutoubia éd (2009), 318 pp.
[4] "Taliban using Skype phones to dodge MI6" , par Glen Owen, Mail Online, 13 septembre 2008.
[5] "NSA offering 'billions' for Skype eavesdrop solution" , par Lewis Page, The Register, 12 février 2009.
[6] "Taliban Threatens Cell Towers" , par Noah Shachtman, Wired, 25 février 2008.
[7] Jawwal est la marque de PalTel, la société du milliardaire palestinien Munib Al-Masri.
[8] Jibran Bassil é um dos líderes principais da Courant patriotique libre, o partido nacionalista de Michel Aoun.
[9] " Freed Lebanese say they will keep fighting Israel ", Associated Press, 17 juillet 2008.
[10] O autor deste artigo foi testemunha destes apelos. Pode-se também consultar "Strange Israeli phone calls alarm Syrians. Israeli intelligence services accused of making phone calls to Syrians in bid to recruit agents ", Syria News Briefing, 4 décembre 2008.
[11] Citado em "Ahmadinejad won. Get over it" , por Flynt Leverett e Hillary Mann Leverett, Politico, 15 juin 2009.
[12] " U.S. State Department speaks to Twitter over Iran ", Reuters, 16 juin 2009.
[13] "Social Networks Spread Defiance Online" , por Brad Stone e Noam Cohen, The New York Times, 15 juin 2009.

Ver também: Irão: Google e Facebook lançam ferramentas em farsi.

O original encontra-se em http://www.voltairenet.org/article160639.html

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/.

Irão: A mentira das "eleições roubadas"

"Mudança para os pobres significa comida e empregos, não um código de vestuário descontraído ou recreações diversas... A política no Irão é muito mais sobre guerra de classe do que sobre religião".
Editorial do Financial Times, 15/Junho/2009

Introdução

Dificilmente haverá qualquer eleição, na qual a Casa Branca tenha um interesse significativo, em que a derrota eleitoral do candidato pró EUA não seja denunciada como ilegítima por todos os políticos e mass media da elite. Nos últimos tempos, a Casa Branca e os seguidores gritaram infracção após as livres (e monitoradas) eleições na Venezuela e em Gaza, enquanto alegremente fabricaram um "êxito eleitoral" no Líbano apesar do facto de a coligação liderada pelo Hezbollah ter recebido mais de 53% dos votos.

As eleições concluídas a 12 de Junho de 2009 no Irão são um caso clássico. O candidato à reeleição, o nacionalista-populista presidente Mahmoud Ahmadinejad (MA) recebeu 63,3% da votação (ou 24,5 milhões de votos), ao passo que o principal candidato da oposição liberal, apoiado pelo Ocidente, Hossein Mousavi (HM) recebeu 34,2% (ou 13,2 milhões de votos).

A eleição presidencial iraniana atraiu um comparecimento recorde de mais de 80% do eleitorado, incluindo uma votação sem precedentes 234.812 do estrangeiro, na qual HM obteve 111.792 e MA 78.300. A oposição liderada por HM não aceitou a sua derrota e organizou uma série de manifestações de massa que se tornaram violentas, resultando na queima e destruição de automóveis, bancos, edifícios públicos e confrontações armadas com a polícia e outras autoridades. Quase todo o espectro de fazedores de opinião ocidentais, incluindo todos os grandes media electrónicos e impressos, os principais sítios web liberais, radicais, libertários e conservadores, reflectiram a queixa da oposição de fraude eleitoral desenfreada. Neo-conservadores, conservadores libertários e trotsquistas juntaram-se aos sionistas louvando os protestários da oposição como a guarda avançada de uma revolução democrática. Democratas e republicanos condenaram o regime, recusaram-se a reconhecer o resultado da votação e louvaram os esforços dos manifestantes para subverter o resultado eleitoral. O New York Times, a CNN, o Washington Post, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel e toda a liderança dos presidentes das principais organizações judias americanas clamaram por sanções mais duras contra o Irão e anunciaram o proposto diálogo de Obama com o Irão como esforço inútil.

A mentira da fraude eleitoral

Os líderes ocidentais rejeitaram os resultados porque "sabiam" que o seu candidato reformista não podia perder... Durante meses publicaram entrevistas diárias, editoriais e reportagens de campo "pormenorizando" os fracassos da administração de Ahmadinejad. Mencionaram o apoio de clérigos, antigos oficiais, comerciantes do bazar e acima de tudo mulheres e jovens de cidades fluentes em inglês para provar que Mousavi estava destinado a uma vitória esmagadora. Uma vitória de Mousavi foi descrita como uma vitória das "vozes moderadas", pelo menos na versão da Casa Branca daquele vago cliché. Eminentes académicos liberais deduziram que a contagem de votos fora fraudulenta porque o candidato da oposição, Mousavi, perdeu no seu próprio enclave étnico entre os azeris. Outros académicos afirmaram que o voto da juventude" – baseado nas suas entrevistas com estudantes universitários da alta e média classe média das vizinhanças do Norte de Teerão eram esmagadoramente a favor do candidato "reformista".

O que é espantoso acerca da condenação universal do Ocidente do resultado eleitoral como fraudulento é que nem uma única partícula de evidência, tanto na forma escrita como de observação, foi apresentada tanto antes como uma semana após a contagem de votos. Durante toda a campanha eleitoral, nenhuma acusação crível (ou mesmo dúbia) de interferência junto aos eleitores foi levantada. Como os media ocidentais acreditaram na sua própria propaganda de uma vitória intrínseca do seu candidato, o processo eleitoral foi descrito como altamente competitivo, com debates públicos candentes e níveis sem precedentes de actividade pública e desembaraçada pelos prosélitos dos candidatos. A crença numa eleição livre e aberta era tão forte que os líderes ocidentais e os mass media acreditaram que o seu candidato favorito venceria.

Os media ocidentais confiaram nos seus repórteres que cobriam a manifestações de massa dos apoiantes da oposição, ignorando e subestimando o enorme comparecimento a favor de Ahmadinejad. Pior ainda, os media ocidentais ignoraram a composição de classe das manifestações competidoras – o facto de que o candidato à reeleição estava a ter o apoio da muito mais numerosa classe trabalhadora pobre, camponeses, artesões e empregados de sectores públicos ao passo que o grosso dos manifestantes da oposição provinha de estudantes da classe alta e média, da classe dos negócios e dos profissionais.

Além disso, a maior parte dos líderes de opinião e repórteres ocidentais baseados em Teerão extrapolou as suas projecções a partir das suas observações na capital – poucos aventuraram-se nas províncias, cidades e aldeias de pequena e média dimensão, onde Ahmadinejad tem a sua base de massa de apoio. Além do mais, os apoiantes da oposição eram uma minoria activista de estudantes facilmente mobilizada para actividades de rua, ao passo que o apoio de Ahmadinejad provinha da maioria da juventude trabalhadora e donas de casa que exprimiriam o seu ponto de vista na urna eleitoral mas tinham pouco tempo ou inclinação para empenhar-se em política de rua.

. Um certo número de sabichões dos jornais, incluindo Gideon Rachmn do Financial Times, apresenta como evidência de fraude eleitoral o facto de Ahmadinejad ter ganho 63% dos votos numa província de língua azeri contra o seu oponente, Mousavi, de etnia azeri. A suposição simplista é que a identidade étnica ou a pertença a um grupo linguístico é a única explicação possível do comportamento eleitoral, ao invés de outros interesses sociais ou de classe.

Um olhar mais atento ao padrão de votação na região Leste-Azerbaijão do Irão revela que Mousavi venceu apenas na cidade de Shabestar entre as classes alta e média (e apenas por uma pequena margem), dado que foi completamente derrotado nas áreas rurais mais vastas, onde as políticas redistributivas do governo Ahmadinejad ajudaram os de etnia azeri a cancelarem dividas, obterem créditos baratos e empréstimos fáceis para os agricultores. Mousavi venceu na região do Azerbaijão Ocidental utilizando suas ligações étnicas para ganhar os eleitores urbanos. Na altamente populosa província de Teerão, Mousavi bateu Ahmadinejad nos centros urbanos de Teerão e Shemiranat ao ganhar o voto dos distritos da classe média e alta, ainda que tenha perdido duramente nos subúrbios adjacentes da classe trabalhadoras, pequenas cidades e áreas rurais.

A ênfase descuidada e distorcida sobre "votação étnica" citada por redactores do Financial Times e do New York Times a fim de apresentar a vitória de Ahmadinejda como uma "eleição roubada" é acompanhada pela obstinada e deliberada vontade dos media de recusarem um rigoroso inquérito de opinião à escala nacional efectuado por dois peritos dos EUA apenas três semanas antes da votação, o qual mostrava Ahmadinejad a liderar por uma margem de 2 para 1 – ainda maior do que a sua vitória eleitoral de 12 de Junho. Este inquérito revelava que entre os de etnia azeri Ahmadinejad era favorecido por uma margem de 2 para 1 em relação a Mousavi, demonstrando como os interesses de classe representados por um candidato podem ultrapassar a identidade étnica do outro candidato ( Washington Post, 15/Junho/2009). O inquérito também demonstrava como as questões de classe, dentro de grupos etários, eram mais influentes na moldagem de preferências políticas do que o "estilo de vida geracional". De acordo com este inquérito, mais de dois terços da juventude iraniana era demasiado pobre para ter acesso a um computador e aqueles com idade dos 18 aos 24 anos "incluíram o bloco eleitoral mais forte a favor de Ahmadinejad entre todos os outros grupos" ( Washington Post, 15/Junho/2009).

O único grupo de apoiou fortemente Mousavi foi o dos estudantes universitários e dos licenciados, donos de negócios e classe média alta. O "voto da juventude", o qual os media ocidentais louvou como "pró reformista", era uma clara minora de menos de 30% mas veio de um grupo altamente privilegiado, eloquente e que em grande parte falava inglês, com um monopólio sobre os media ocidentais. A sua presença esmagadora nas reportagens ocidentais criou o que foi mencionado como o "Síndroma de Teerão Norte", o confortável enclave da classe alta do qual provieram muitos destes estudantes. Se bem que eles pudessem ser articulados, bem vestidos e fluentes em inglês, no segredo da urna eleitoral foram profundamente derrotados.

Na generalidade, Ahmadinejad saiu-se muito bem nas províncias produtoras de petróleo e petroquímica. Isto pode ter sido um reflexo da oposição dos trabalhadores do petróleo ao programa "reformista", o qual incluía propostas para "privatizar" empresas públicas. Da mesma forma, o presidente em exercício saiu-se muito bem junto às províncias fronteiriças devido à sua ênfase no fortalecimento da segurança nacional em relação às ameaças estado-unidenses e israelenses depois de uma escalada de ataques terroristas transfronteiriços patrocinados pelos EUA a partir do Paquistão e de incursões apoiadas por Israel a partir do Curdistão iraquiano, as quais mataram grande número de cidadãos iranianos. O patrocínio e o financiamento maciço dos grupos por trás destes ataques é uma política oficial dos EUA desde a administração Bush, a qual não foi repudiada pelo presidente Obama. De facto, ele escalou-a como preparação para as eleições.

O que os comentadores ocidentais e os seus protegidos iranianos ignoraram é o impacto poderoso que as devastadoras guerras dos EUA e a sua ocupação do Iraque e do Afeganistão têm sobre a opinião pública iraniana: a posição forte de Ahmadinejad em matéria de defesa contrastou com a postura pró ocidental e fraca de muitos dos propagandistas da campanha da oposição.

A grande maioria dos eleitores favoráveis ao presidente em exercício provavelmente sentiu que os interesses da segurança nacional, da integridade do pais e do sistema de previdência social, com todas as suas falhas, podiam ser melhor defendidos e melhorados com Ahmadinejad do que com os tecnocratas das classe alta apoiados pela juventude privilegiada orientada para o ocidente que aprecia mais os estilos de vida individualistas do que os valores da comunidade e solidariedade.

A demografia dos votos revela uma polarização de classe real contrapondo capitalistas individualistas de alto rendimento e orientados para o mercado livre à classe trabalhadora, de baixo rendimento, apoiantes de uma "economia moral" baseada na comunidade na qual a usura e a especulação são limitadas por preceitos religiosos. Os ataques abertos de economistas da oposição às despesas do governo com a previdência, com o crédito fácil e com os pesados subsídios a alimentos básicos não os favoreceram junto à maioria dos iranianos beneficiários daqueles programas. O Estado era encarado como o protector e benfeitor dos trabalhadores pobres contra o "mercado", o qual representava riqueza, poder, privilégio e corrupção. O ataque da oposição à "intransigência" da política externa do regime e a posições "isolando" o Ocidente só tinha eco junto a estudantes liberais da universidade e grupos de negócios do import-export. Para muitos iranianos, o fortalecimento militar do regime foi vista como tendo impedido um ataque dos EUA ou de Israel.

A escala do défice eleitoral da oposição deveria contar-nos quão fora de sintonia ela está em relação às preocupações vitais do seu próprio povo. Deveria recordar-nos que ao mover-se para mais perto da opinião ocidental, ela removeu-se dos interesses quotidianos da segurança, habitação, emprego e preços subsidiados dos alimentos que tornam a vida tolerável para aqueles que vivem abaixo da classe média e do lado de fora dos portões privilegiados da Universidade de Teerão.

O êxito eleitoral de Ahmadinejad, visto na perspectiva do contexto histórico, não deveria surpreender. Em competições eleitorais semelhantes entre nacionalistas-populistas contra liberais pró ocidentais, os populistas ganharam. Os exemplos passados incluem Perón na Argentina e, mais recentemente, Chávez da Venezuela, Evo Morales na Bolívia e mesmo Lula da Silva no Brasil, todos eles tendo demonstrado uma capacidade para assegurar margens próximas ou mesmo superiores a 60% em eleições livres. As maiorias votantes nestes países preferem a previdência social em relação a mercados sem restrições, a segurança nacional e não alinhamentos com impérios militares.

As consequências da vitória eleitoral de Ahmadinejad estão abertas a debate. Os EUA podem concluir que continuar a apoiar uma minoria barulhenta, mas pesadamente derrotada, tem poucas perspectivas de assegurar concessões sobre o enriquecimento nuclear e um abandono do apoio do Irão ao Hesbollah e ao Hamas. Uma abordagem realista seria abrir uma discussão ampla com o Irão e reconhecer, como o senador Kerry destacou recentemente, que o enriquecimento de urânio não é uma ameaça existencial para ninguém. Esta abordagem diferiria agudamente daquela dos sionistas americanos, incorporada no regime Obama, que segue a orientação de Israel de pressionar por uma guerra antecipativa com o Irão e que utiliza o argumento especiosos de que nenhuma negociação é possível com um governo "ilegítimo" em Teerão que "roubou uma eleição".

Acontecimentos recentes sugerem que líderes políticos na Europa, e mesmo alguns em Washington, não aceitam a linha dos mass media sionistas de "eleições roubadas". A Casa Branca não suspendeu a sua oferta de negociações com o governo recém-eleitos mas centrou-se ao invés na repressão dos protestatários da oposição (e não na contagem de votos). Da mesma forma, os 27 países da União Europeia exprimiram "séria preocupação acerca da violência" e apelaram a que "as aspirações do povo iraniano sejam alcançadas através de meios pacíficos e que a liberdade de expressão seja respeitada" ( Financial Times, 16/Junho/2009, p.4). Excepto quanto a Sarkozy da França, nenhum líder da UE questionou o resultado da votação.

A interrogação na sequência das eleições é a resposta israelense. Netanyahu assinalou aos seus seguidores sionistas americanos que eles deveriam utilizar o ardil da "fraude eleitoral" para exercer a máxima pressão sobre o regime Obama no sentido de acabar com todos os planos para encontrar-se com o novamente reeleito Ahmadinejad.

Paradoxalmente, comentaristas estado-unidenses (da esquerda, direita e centro) que "compraram" a mentira da fraude eleitoral estão de forma não intencional a proporcionar a Netanyahu e seus seguidores americanos argumentos e falsificações: Onde eles vêm guerras religiosas, nós vemos guerras de classe; onde eles vêem fraude eleitoral, nós vemos desestabilização imperial.

© Copyright James Petras, Global Research, 2009

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=14018

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

terça-feira, 16 de junho de 2009

Medvedev ignora polémica e quer cooperação com Ahmadinejad

Os presidentes da Rússia, Dmitri Medvedev, e do Irão, Mahmoud Ahmadinejad, decidiram hoje na cidade russa de Yekaterinburg «continuar a cooperação em matéria económica e humanitária».

Segundo Natalia Timakova, porta-voz do presidente russo, citada pela agência oficial RIA Novosti, as partes concordaram também em «manter os contactos».

Anteriormente tinha sido comunicado que Medvedev tinha cancelado a reunião bilateral que realizaria com Ahmadinejad no âmbito da cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (SCO).

Medvedev tem «uma agenda muito apertada» devido ao fórum daquela organização regional, que também inclui a China e quatro países da Ásia Central, e a primeira cimeira formal do grupo Bric, formado por Brasil, Rússia, Índia e China, explicou a delegação russa.

Ahmadinejad participa na cimeira da SCO na cidade russa de Yekaterinburg, nos Urais, na qualidade de observador, juntamente com os presidentes do Afeganistão e do Paquistão, o primeiro-ministro da Índia e um enviado da Mongólia.

O líder iraniano, que faz a gestão para a entrada formal do Irão na SCO, tinha previsto inicialmente chegar na segunda-feira a Yekaterinburg, mas adiou a visita «por razões pessoais», segundo fontes diplomáticas russas.

Desde a reeleição de Ahmadinejad, no sábado, Teerão é palco de violentos protestos da oposição para denunciar fraude eleitoral, nas quais pelo menos sete pessoas morreram.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) russo não fez declarações oficiais sobre as eleições no Irão e só o vice-ministro do MNE, Serguei Riabkov, afirmou hoje que as eleições são «um assunto interno do povo iraniano».

«Aprovamos a realização destas eleições e damos as boas-vindas ao reeleito presidente do Irão na terra russa», disse Riabkov durante numa conferência de imprensa em Yekaterinburg.

A visita de Ahmadinejad à cidade russa «reflecte as relações de boa vizinhança e tradicionalmente amistosas entre Moscovo e Teerão», afirmou o diplomata, segundo a agência RIA Novosti.

«É simbólico que a sua primeira visita ao exterior após ser reeleito seja à Rússia«, acrescentou. [fonte]

Ahmadinejad declarado vencedor das eleições presidenciais no Irão

O Presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad venceu as eleições presidenciais com 64 por cento dos votos, garantindo assim um segundo mandato, anunciou esta manhã a Comissão Eleitoral iraniana.

O seu principal opositor, Mir-Hossein Moussavi, conseguiu 32 por cento dos votos, numas eleições que registaram uma taxa de participação de 82 por cento.

Moussavi protestou contra o que diz serem violações óbvias nas eleições presidenciais de ontem. "Estou a avisar, não me vou render a esta farsa perigosa". A sua candidatura pediu já ao Conselho dos Guardiões que reveja os "erros" destas eleições.

O candidato derrotado diz que não houve boletins de voto em número suficiente em inúmeras assembleias de voto e que milhões de eleitores foram impedidos de votar.

"O resultado das acções de várias entidades oficiais põe em causa os fundamentos da República Islâmica e conduzirá a uma tirania", disse Moussavi.

A sede de campanha da candidatura de Moussavi foi encerrada pela polícia, impedindo os apoiantes do candidato de fazerem uma conferência de imprensa, relata a BBC.

Teerão, a capital, vive um dia de tensão. Centenas de apoiantes de Moussavi manifestaram-se nas ruas depois do anúncio dos primeiros resultados. "Vamos ficar aqui, vamos morrer aqui", gritavam, reunidos em frente à sede de campanha do seu candidato.

"Eles arruinaram o país e querem arruiná-lo ainda mais durante os próximos quatro anos", acrescentaram.

A polícia dispersou-os com bastões.

As manifestações continuaram durante a tarde, com apoiantes de Moussavi a incendiarem caixotes do lixo. Por outro lado, apoiantes de Ahmadinejad atacaram manifestantes pró-Moussavi nas ruas da capital, relata a AFP.

A partir de hoje, qualquer concentração de apoiantes dos quatro candidatos às eleições foi proibida pelo Governo.

Por sua vez, na grande avenida que atravessa a capital de Norte a Sul, os simpatizantes de Ahmadinejad exultavam. "Estou muito contente com a vitória do meu candidato. Ele ajuda os pobres e detém os criminosos", afirmou Kamra Mohammadi, um vendedor ambulante de 22 anos. [fonte]

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Irão reivindica energia nuclear para todos, armas nucleares para ninguém

Manoucher Mottaki, ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão é um seguidor do líder supremo da Revolução Ali Khamenei. Vai coordenar as negociações iranianas do grupo 5+1 (os membros do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha). Com a administração Obama, de atitude mais conciliadora em relação ao Irão, está criado o ambiente de expectativa nas discussões sobre o programa nuclear do Irão.

euronews – O Irão está disposto a fazer novas reuniões ministeriais entre seis partes… o que oferece?

Manoucher Mottaki – (Muito obrigado em nome de Alá o misericordioso) ...o Irão vai actualizar a proposta feita no ano passado. Porque, desde então, o mundo mudou: deu-se a crise económica e monetária, alteraram-se algumas administrações….

euronews – Refere-se à norte-americana…

MM – ...por isso é necessário reexaminar o projecto de novas medidas, preparar nova proposta.

euronews – A questão mais importante é a nuclear. Vai oferecer algo de novo?

MM – Consideramos que os direitos do Irão são negociáveis não têm de estar sujeitos a acordos. O direito das nações a terem energia nuclear é um direito de que gozam todos os membros das Nações Unidas. O nosso ponto de vista é claro: energia nuclear para todos, armas nucleares para ninguém.

euronews – Acha que o facto de alguns países terem armas nucleares, actualmente, dá o direito a outros países, que não as têm, de as procurarem obter?

MM – Um desses países que refere é o que possui maior arsenal nuclear. Felizmente, podemos observar uma viragem de rumo, o que é inédito desde 1945, depois da II Guerra Mundial…e devemos ajudar esse país a manter essa posição aceitável.

euronews – Acha que o discurso do presidente Ahmadinejad é útil num mundo em que o Irão tenta negociar e mostrar mais abertura, especialmente com o novo governo norte-americano, que parece mais receptivo do que o executivo anterior em relação ao Irão?.

MM – Está a tentar, diplomaticamente, ligar estas duas questões, não é necessário… mesmo se, nos Estados Unidos, há vários grupos que seguem essa linha de pensamento. Por isso temos de ter em conta e ligar todos os interesses, ou seja dos americanos, interesses de Israel.

euronews – Este tipo de retórica ajuda a manter uma posição de força nas novas negociações da administração norte-americana de Obama no Médio Oriente?

MM – A raíz da crise deve ser procurada na região e essa é a legitimidade deste regime na região, como foi estabelecido: a terra palestiniana não estava sem pessoas, porque palestinianos, muçulmanos, cristãos e judeus viviam lá. Tal como na Europa não há pessoas sem terra, eram cidadãos de diferentes países europeus, já lá viviam.

euronews – A sua apreciação é simplesmente racista em relação a outro país, Israel, e a população que vive na região? Que pensa sobre isso?

MM – Essa é uma interpretação errada do II encontro de Durban. Vamos em frente…

euronews – Não, não…era uma pergunta, o que responde a isto? Não acha a sua conversa racista também?

MM – Claro que não.

euronews – Porquê?

(riso sem resposta)

euronews – Porquê?

MM – Estamos a conversar sobre um problema, uma crise que é uma realidade numa região e ninguém pode resolver este problema. Nós tentamos explicar porque é problema sem solução. Não somos parte do problema, pelo contrário, na região sempre fomos parte da solução em relação ao Iraque, em relação ao Líbano, em relação ao Afeganistão.

euronews – Então, pode oferecer a cooperação para resolver os problemas no Iraque, no Afeganistão.

MM – Temos uma certa responsabilidade na região, e, nos últimos seis ou sete anos, desempenhámos um papel importante na política de desenvolvimento do Iraque, na institucionalização das várias estruturas do governo no Iraque, no Parlamento e outras, e apoiamos esse processo.

euronews – Que acha da política norte-americana do pau e da cenoura? Porque estende a mão ao Irão mas, com a outra mão, a secretária de Estado Hillary Clinton diz que estão a preparar sanções contra o Irão para o caso da questão nuclear não se resolver.

MM – As políticas experimentadas no passado sem atingir resultados deviam servir para lembrar as diferentes partes que é melhor reequacionar e estabelecer outras políticas diferentes.

euronews – Um embargo do Ocidente ao petróleo iraniano seria problemático?

MM – Se estiverem dispostos a decidir então vêem a nossa reacção, não se preocupe com isso….

euronews – Que tipo de reacção?

MM – Estudamos o assunto se decidirem tomar essa decisão.

sábado, 9 de maio de 2009

Ahmadinejad formaliza candidatura à eleição presidencial iraniana

Teerão - O presidente do Irão, Mahmud Ahmadinejad, formalizou oficialmente hoje (sexta-feira) no ministério do Interior sua candidatura para um segundo mandato à eleição presidencial de 12 de Junho, informou a agência Isna.

"Mahmud Ahmadinejad chegou ao ministério do Interior e formalizou oficialmente sua candidatura à eleição presidencial", disse a agência.

Eleito em 2005, o presidente ultraconservador vai disputar um novo mandato de quatro anos.

Indagado pela AFP sobre suas chances de reeleição, Ahmadinejad, 52 anos,afirmou: "Não penso nessas coisas, meu único objetivo é servir ao povo".

O dirigente já tinha se definido como um "servidor do povo" durante a campanha de 2005.

Desta vez, ele acrescentou: "Quando uma nação inteira vai às urnas, o resultado é sempre bom e surpreendente, e tenho boas esperanças".

Por enquanto, as principais candidaturas são as do ex-presidente do Parlamento, o reformador Mehdi Karubi, e do ex-líder dos Guardiões da Revolução, Mohsen Rezai.

O ex-primeiro-ministro e conservador moderado Mir Hossein Mussavi deve formalizar sua candidatura no sábado. Caberá depois ao Conselho dos Guardiões da Constituição examinar todas as candidaturas antes de anunciar, nos dias 20 e 21 de Maio, as pessoas autorizadas a se apresentar.

A campanha eleitoral deve começar em 22 de Maio e terminar na noite de 10 de Junho, na antevéspera da eleição.

Ahmadinejad é uma das figuras mais polêmicas do regime islâmico.

Eleito em 2005 para a surpresa de todos, ele gosta de se apresentar como um devoto do Islão e um homem do povo.

Ele se refere com frequência ao Mahdi, o 12º imã do Islã xiita. Os xiitas acreditam que Mahdi voltará para instaurar um reinado de justiça na Terra.

Ahmadinejad manteve um modo de vida muito simples, e costuma desde sua eleição visitar todas as aldeias de seu país, por mais isoladas que sejam.

Ele deflagrou uma grande polémica ao qualificar o Holocausto de "mito" e ao afirmar que Israel devia ser "varrido do mapa".

Também simboliza a recusa do Irão de suspender seu programa nuclear, que comparou a "um comboio sem travões e sem marcha a ré".

O dirigente ainda chamou de "meros pedaços de papel" as resoluções emitidas pelo Conselho de Segurança da ONU para punir a República Islâmica.

Ahmadinejad foi bastante criticado no Irão por causa de uma política económica cara, que segundo especialistas provocou uma forte inflação mas também aumentou a pobreza e o desemprego.

Porém, esta política condiz com sua promessa de "colocar o dinheiro do petróleo na mesa do povo".

Ele nunca deixou de defender os valores da Revolução Islâmica, o que lhe rendeu o apoio praticamente incondicional do guia supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Para muitos analistas, Ahmadinejad tem grandes chances de ser reeleito. Outros consideram, porém, que a candidatura de Mussavi constitui para ele uma verdadeira ameaça. [fonte]

domingo, 26 de abril de 2009

Irão avisa EUA que é melhor não fazer ameaças para não estragar clima de diálogo

Teerão minimizou a ameaça de endurecimento das sanções contra o Irão feita pela secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton caso a nova abertura para negociações oferecida pela Administração Obama não seja aceite pela República Islâmica. “A era das ameaças e das pressões políticas acabou. Acreditamos é preciso resolver os problemas através do diálogo e da interacção”, afirmou o porta-voz do Governo, Gholam Hossein Elham.

Ontem, tinha sido a vez do ex-Presidente Akbar Hachemi Rafsanjani apelar aos Estados Unidos para que se abstivessem de ameaçar o Irão com novas sanções. “Clinton disse: ‘Estamos prontos a discutir mas preparamos, paralelamente, sanções paralisantes contra o Irão. Fariam melhor em não divulgar estes comentários, para não estragar a atmosfera favorável às negociações que existe actualmente no Irão”, afirmou, num aviso claro aos EUA.

As palavras de Clinton ameaçando novas sanções são de quarta-feira. No mesmo dia, o Irão tinha respondido favoravelmente a um apelo das grandes potências para regressar ao diálogo sobre as suas actividades nucleares, embora ressalvando que continuaria a actividade de enriquecimento de urânio. [fonte]

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Parlamentar iraniano tacha de “barbárie moderna” o gesto dos apoiantes do sionismo na conferência de Genebra

Teerão, Irão [IRNA] – Kazem Yalali, port-voz da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento do Irão, manifestou terça-feira em declarações à IRAN: “O gesto dos apoiantes do regime sionista ao provocarem um alvoroço quando o presidente do Irão tomava a palavra na conferência contra o racismo de Durban II provocou muitas reacções. Estes gestos são uma barbárie moderna que demonstra o carácter esclavagista deles e são um indicativo da veracidade das posturas do Irão.”

Sobre as pessoas que se levantaram enquanto o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad falava na tribuna de Durban II; Yalali sentenciou que “basicamente, essas pessoas estão incomodadas e o seu incómodo é uma indicação do grande movimento que existe no mundo contra o regime hegemonista internacional.”

“O incómodo surge quando a pessoa sente que fracassou e não tem nenhuma outra saída. A atitude de alguns países ocidentais e de algumas personagens que intentaram causar o alvoroço no discurso de Ahmadinejad demonstrou que as mesmas não respeitam muito que defendamos os direitos humanos, a democracia e a liberdade de expressão.”

“Porque têm tanto medo de um discurso, eles, que tanto falam de liberdade de expressão? Porque fazem tanto escândalo a meio de um discurso?”, questionou-se em tom retórico, para asseverar e continuar que tudo o resto “demonstra quão vazios são os seus lemas já que têm medo das palavras que se atam ao direito e à postura que se decanta pela liberdade.”

Yalali susteve que os que montaram o espectáculo saíram perdedores já que com isso provocaram uma repercussão ainda maior no mundo e muitos agora são os que terão curiosidade em ler o discurso do presidente do Irão, coisa que não fariam antes.

Ahmadinejad em Genebra: “Expansionismo e racismo são as raízes dos problemas da humanidade”

Genebra, Suíça [IRNA] – O presidente do Irão, Mahmud Ahmadinejad, manifestou na cidade suíça de Genebra, onde encontra nesta altura para participar na Conferência Internacional Contra o Racismo Durban II: “A definição incorrecta do ser humano e da comunidade humana, os egoísmos, o expansionismo e o racismo, são as raízes dos problemas da humanidade.”

Ahmadinejad, que efectuou estas declarações na segunda-feira num encontro com os presidentes dos organismos da ONU com sede em Genebra, acrescentou: “Hoje no mundo fala-se de momentos difíceis; em muitas zonas do mundo existem crises políticas, económicas e sociais, e nos últimos 60 anos talvez não tenha havido um só dia em que a sombra da guerra, a ameaça, a hostilidade e o ódio não se tenha sentido sobre a Terra.”

Susteve o mandatário iraniano que “a actual situação é muito mais frágil” porque “antes da crise económica mundial mais de mil milhões de pessoas viviam na indigência, e de certeza que esta cifra já aumentou, bem como a cifra do desemprego e a diminuição da esperança de vida.”

“Hoje são vários os países que se encontram sob um regime de ocupação – prosseguiu – cujos povos vivem nas piores condições. Hoje o tráfico de drogas já se converteu em algo banal, algo que se repercute negativamente na moral e na saúde de grande parte das pessoas em geral e da juventude em particular. Esta situação influenciou de maneira importante as relações políticas e securitárias e o desenvolvimento do terrorismo no mundo. Hoje os massacres e o terror aumentam por momentos em todo o planeta. Chegou a hora de efectuarmos um esforço conjunto e pensarmos em uníssono para conhecer do modo correcto os problemas actuais da humanidade e actuarmos com uma resolução conjunta para reformar este status quo.”

Ahmadinejad susteve que entre as soluções “fundamentais” para solucionar todos estes desmandos estão o “respeito para com o ser humano e a sua dignidade bem como a de todos os indivíduos, respeitar critérios únicos, admitir os mesmos direitos para todos os povos, deixar que todos participem na administração do mundo e alterar a actual situação.”

Acredito que chegou a altura de se levar a cabo uma revisão de base dos sistemas que regem o mundo e se defina um novo sistema de acordo com uma definição correcta do ser humano, dos direitos humanos e das suas necessidades”, apostolou.

“A ONU é quem deveria ser a vanguarda de tal reforma estrutural e criar as oportunidades para que todos possam participar da dita reforma”, propôs.

De Teerão

Escrevo em Teerão, esta grande e milenária cidade, cujos ruídos entram pela minha janela enquanto amanhece. Hoje é Sábado, 4 de Abril, e quando me levantava às 6:00 da manhã em Caracas aqui eram 9:00 da noite do dia 3… todavia! Que coisas estas as do espaço e do tempo com as suas leis e a sua relatividade!

Ligo o televisor, conectado directamente ao satélite, e ali está Vanessa com o seu programa Contra Golpe, desde o local recuperado do Porto de Maracaibo. O vento bate forte vindo do lago e a Pátria chega-me de repente através do ecrã. Ouço a voz do povo, dos conselhos comunais ali presentes. Ouço a voz da Força Armada na pessoa do coronel presidente do porto. Ouço pois, a voz da Revolução que avança.

E daqui te digo, homem, mulher, compatriota que m lê: não desfaleçamos na Ofensiva Revolucionária em toda a frente de Batalha!

Pudemos comunicar-nos via telefónica com Vanessa. E logo com o Dossier de Walter Martínez. Falamos várias horas, enquanto continuava a subir o sol além das montanhas nevadas de Teerão, aqui no coração do Médio Oriente.

Entretanto, todo o mundo tem estado pendente da Reunião do G-20 em Londres, a capital do velho império britânico. Começou com pompa e circunstância e podemos dizer que terminou sem dor nem glória, apesar do optimismo expressado nas declarações de alguns dos seus protagonistas.

Já o havia dito em Caracas, em Doha, aqui em Teerão, recordando o grande caudilho José Gervásio Artigas: “Não devemos esperar nada de ninguém senão de nós mesmos”. E assim é, em verdade.

A quem senão aos que não querem ver a realidade lhes pode ocorrer colocar nas mãos de um incendiário a tarefa de apagar o incêndio?

Mas foi exactamente isso que decidiram: dar de novo gigantescas quantidades de dólares ao Fundo Monetário Internacional, ao Banco Mundial… Valha-me Deus!... Outorgar mais poderes à Organização Mundial do Comércio e ameaçar inclusivamente aqueles países do terceiro mundo que caiam no “pecado do proteccionismo”. Salva-se quem puder!

Sinceramente não querem ou não podem escapar à perversa lógica neoliberal e pretendem agarrar-se aos princípios do selvagem modelo capitalista. Assim são os fundamentalistas!

Nós, por outro lado, continuamos a construir o nosso caminho e transitando por este, empregando os nossos modestos esforços na confirmação do mundo multipolar, multicêntrico, no qual se consiga trazer à realidade aquele conceito bolivariano do “equilíbrio do Universo”.

Hoje, Sábado, conclui-se aqui em Teerão o Encontro do G-2, Irão e Venezuela, com a assinatura de um conjunto de novos acordos que constituem a linha de partida do novo mapa 2010-2020, sobre o qual navegaremos estas duas Repúblicas, os seus povos irmãos e as suas revoluções.

Ontem inauguramos em Teerão a sede do novo Banco Binacional Irano-Venezuelano (BBIV), para cujo nascimento trabalhamos intensamente durante mais de dois anos e que doravante se constitui num novo instrumento precisamente para a libertação da ditadura do dólar.

Esta criação de um Banco Binacional entre a nação persa e a nossa recorda-nos aquelas palavras que Martin Luther King pronunciava em 1963: “Recusamo-nos a acreditar que o banco da justiça esteja falido”. Enquanto que em todo o mundo, em especial nos grandes centros financeiros, continuam a falir e a cair os grandes bancos, no nosso Sul, justiça seja feita, nascem novas instituições financeiras ao abrigo se um novo conceito que dista muito do capitalismo em queda livre. Com o Irão começamos também a projectar a criação de uma empresa Grande Nacional de medicamentos que contribua para romper com as grandes multinacionais farmacêuticas da morte. O fortalecimento de outros projectos – agro-pecuários, alimentares, mineiros, energéticos – foram parte importante da nossa agenda dentro do propósito estratégico de converter a nossa nação numa potência soberana e independente, na medida do possível.

O Encontro da ASPA em Doha, e esta dos G-2, Irão e Venezuela, são a prova palpável de que outro mundo já começa a ser possível, ante o triste espectáculo observado também com atenção da nossa parte, nas antípodas, do encontro dos G-20.

Esta noite viajaremos para o Japão. Será uma grande viagem. E logo iremos a Pequim, essa gigantesca cidade capital da nova superpotência mundial do século XXI.

Agora quase não tenho nem tempo para escrever. Portanto, estas linhas de hoje são mais curtas que o normal. Desde modo não se queixaram nem Jesse nem Eleazar.

Quando estiverem a ler estas minhas palavras, estaremos já no avião da Cubana que Fidel nos emprestou, rumo ao Japão. E já será Domingo de Ramos. Peço aqui desde estes mundos de Deus, que Cristo retorne de verdade, os seus valores, a sua paixão, a sua esperança. Peço que ressuscite cada dia nos corações de todas e de todos. E que se torne uma bela realidade o Reino que vem anunciar-nos: o socialismo!

ATÉ À VITÓRIA SEMPRE

VENCEREMOS

Hugo Rafael Chávez Frias [fonte]

domingo, 29 de março de 2009

Irão confirma presença na Conferência Internacional sobre a reconstrução do Afeganistão

Síria e Irão confirmam aliança estratégica


Os presidentes da Síria, Bashar al-Assad, e do Irão, Mahmoud Ahmadinejad, confirmaram hoje a aliança estratégica entre os dois países e afirmaram que Israel «está cada vez mais enfraquecido».

Segundo a agência de notícias iraniana Mehr, os dois governantes conversaram por telefone para analisar a situação regional e as relações entre os dois Estados.

Ahmadinejad disse que os inimigos da paz regional estão a perder terreno, enquanto «a formidável amizade entre Síria e Irão é cada vez mais forte», segundo a Mehr.

Além disso, reiterou que os países da região devem aproveitar «de forma inteligente» as oportunidades que começam a aparecer.

Assad assinalou que «a conjuntura internacional se tornae favorável aos muçulmanos, em comparação com o regime sionista e os seus aliados», em alusão a Israel e EUA.

Os dois presidentes também analisaram a próxima cimeira árabe, que decorrerá na próxima semana no Qatar.

A aliança estratégica entre a Síria e o Irão remonta à década de 1980, época em que os dois países se uniram para enfrentar o Iraque de Saddam Hussein e colaborar no controlo do Líbano. [fonte]

quinta-feira, 26 de março de 2009

Irão considera que opção militar no Afeganistão mostrou-se ineficaz

Teerão - O ministro dos Assuntos Exteriores do Irão, Manouchehr Mottaki, pediu nesta segunda-feira à comunidade internacional para que respeite os desejos do povo afegão, se quiser realmente contribuir para resolver os problemas do Afeganistão, e que se esqueça da opção militar, já que mostrou ser ineficaz.

Em declarações divulgadas hoje pela televisão iraniana, Mottaki definiu a postura do Irão se decidir aceitar o convite dos Estados
Unidos para participar da cúpula internacional sobre o Afeganistão, prevista para finais de Março.

"As reuniões que vão acontecer em Roma e Haia devem se concentrar nos desafios que realmente ameaçam o Afeganistão, devem respeitar o desejo do povo afegão e o valor de suas tradições", afirmou Mottaki.

"Após sete anos, a comunidade internacional e os países do Ocidente, em particular, devem compreender que a opção militar no Afeganistão não deu frutos.

Ficou comprovado que, só levando em conta os desejos e a dignidade do povo afegão, serão alcançados os resultados", acrescentou.

No dia 6, e num gesto de aproximação sem precedentes, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, convidou o Irão a
participar da cúpula, após anos de isolamento do regime dos aiatolás.

O Irão ainda não respondeu, mas analistas na região acreditam que o país comparecerá ao evento. [fonte]

Ahmadinejad oferece ajuda "sem limites" ao Iraque

(Folhapress) - O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, recebeu formalmente ontem o chefe de Estado iraquiano, Jalal Talabani, que chegou quinta-feira à noite em Teerã, para uma visita oficial de três dias. Ahmadinejad afirmou após o encontro que o Irã está pronto para cooperar para a aceleração do desenvolvimento iraquiano. "A ajuda do Irã para acelerar o progresso do Iraque não tem limite. Irã está pronto para oferecer ao Iraque suas experiências em cada campo possível", disse Ahmadinejad, citado pela televisão estatal.

O presidente não deu mais detalhes sobre o tipo de ajuda que ofereceria, mas o país já falou anteriormente em auxiliar no desenvolvimento na agricultura, economia, transporte e energia. Os dois países têm relações próximas desde que o ditador Saddam Hussein foi derrubado do poder, em 2003. Hussein liderou um conflito de oito anos contra o Irã na década de 80, confronto que deixou cerca de um milhão de mortos.

Os Estados Unidos acusam o regime iraniano - de maioria xiita - de fornecer armas e treinamento aos militantes xiitas do Iraque, para que se rebelem contra a ação americana no país. Teerã nega as acusações e afirma que foi a ocupação americana que causou problemas de segurança no Iraque. [fonte]

Irão quer reforçar relações bilaterais com Mauritânia


O Irão expressou hoje através do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Manouchehr Mottaki, a sua intenção de reforçar as relações bilaterais com a Mauritânia em matéria de saúde, energia, comércio, petróleo e investimentos.

Mottaki, que se encontra em Nuakchott acompanhado de uma vasta delegação de representantes de diferentes sectores, declarou ter delineado com o seu homólogo mauritano, Mohammed Mahmoud Ould Mohamed, os planos para aumentar a cooperação entre as nações.

Após se encontrar com o chefe da Junta Militar, Mohammed Ould Abdelaziz, no poder desde o golpe de Estado de Agosto do ano passado, o chanceler iraniano disse ser uma «decisão sábia» a realização de eleições no país a 6 de Junho.

Até ao momento, são poucos os países que manifestaram intenção de reforçar os vínculos comerciais com a Mauritânia após o golpe de Estado e a consequente crise política, entre eles a China. [fonte]

sexta-feira, 6 de março de 2009

Semana cultural do Irão na Universidade Católica

domingo, 1 de março de 2009

Mentir à descarada - Como se fabrica “opinião pública”

O diário de distribuição gratuita Meia Hora deu destaque de primeira página, na sua edição de 2 de Fevereiro, aos 30 anos da revolução no Irão dizendo que o país vive “arredado do convívio (?) das nações” por apoiar “grupos radicais islâmicos” e por andar a enriquecer urânio “à revelia da ONU”. Dias depois, a 17 de Fevereiro, comentava o resultado do referendo na Venezuela dizendo que Hugo Chávez “agora pode ficar no poder até se fartar”. Para o jornalismo praticado pelo Meia Hora os factos não contam.

“Eixo do Mal”
No que toca ao Irão, não se percebe que “convívio” e que “nações” tem em mente o Meia Hora, mas é um facto objectivo que o Irão é membro de pleno direito da ONU – organismo internacional que, mal ou bem, é o fórum onde as nações do mundo “convivem”. A afirmação do MH é portanto desprovida de qualquer valor para caracterizar o posicionamento internacional do Irão. Tem apenas o efeito de dar a conhecer o padrão mental do MH que, pelos vistos, é o dos EUA do senhor Bush e o dos sionistas israelitas.

Sendo assim, percebe-se que o “apoio dado a grupos radicais islâmicos” pelo Irão incomode o MH – foram esses “grupos radicais” que deram o corpo ao manifesto para enfrentar as agressões de Israel ao Líbano em 2006 e recentemente em Gaza. Claro que, por isso, o Irão merece, na óptica retorcida do MH, o anátema de “eixo do mal” – mas não os EUA e Israel que têm às costas, só nos últimos oito anos, bem mais de um milhão de mortos civis em quatro teatros de guerra (Afeganistão, Iraque, Líbano e Palestina).

Países “perigosos”
Classificando o Irão como “um país perigoso”, o MH serve-se de um relatório do International Institute for Strategic Studies (do Reino Unido) para sugerir que o Irão poderia fabricar uma bomba nuclear “até ao fim do ano”. Tudo, claro, “à revelia da ONU”.

Ora, o relatório não afirma o que o MH lhe atribui, e os factos acerca da questão são completamente outros. O Irão produz urânio enriquecido com conhecimento da organização da ONU capacitada para o fazer, a Agência Internacional de Energia Atómica. Mais, o Irão subscreveu o Tratado de Não Proliferação das Armas Nucleares e por isso é fiscalizado pela AIEA – coisa que Israel não fez, tendo-se tornado uma potência nuclear clandestina, sem qualquer controlo, e por isso mesmo “um país perigoso”.

Como que desmentindo tudo o que dissera antes, o MH de 20 de Fevereiro dá conta, (mas numa nota muito pequena…) de uma informação dada na véspera pela AIEA, segundo a qual ”o Irão continua a realizar operações de enriquecimento de urânio” não tendo a AIEA “registado qualquer progresso substancial” no que respeita ao inquérito sobre o “alegado programa nuclear militar de Teerão”.

Chávez é mau
Com o caso de Hugo Chávez, de novo as impressões contam mais que os factos, na mesma linha de jornalismo “insinuante” que o MH pratica.

O facto é este: foi aprovada em 16 de Fevereiro, por referendo, uma emenda à constituição venezuelana que permite a recandidatura, sem limites, de todos os eleitos para cargos políticos. A notícia do MH diz que a Venezuela “coroou Chávez” e que ele agora “pode chegar à eternidade” como presidente.

Houve fraude no referendo? Não. Chávez, ou qualquer candidato venezuelano, têm a partir de agora a reeleição garantida? Também não. O comentário desvairado do MH mostra apenas um propósito: atribuir, de forma inteiramente gratuita, projectos ditatoriais a Hugo Chávez passando por cima do facto de a emenda constitucional ter sido sujeita a sufrágio e ter vencido com o apoio dos votos populares por ampla margem. É isto que dói a todos os Meias Horas.

Uribe é bom
O facciosismo do MH torna-se ainda mais patente lembrando este outro facto: em Junho de 2004, na Colômbia, foi tomada a mesma decisão com o propósito de renovar o mandato do presidente Álvaro Uribe, o traficante de armas e de droga que os EUA apoiam e financiam. A emenda constitucional foi, neste caso, aprovada no parlamento (e não em referendo) apenas por uma diferença de dois votos. Soube-se entretanto, em Abril de 2008, através de uma deputada que deu com a língua nos dentes, que Uribe comprara votos dos deputados – e, diante disto, o Supremo Tribunal de Justiça da Colômbia instituiu um Tribunal Constitucional para impugnar a ilegalidade.

Neste caso sim, o propósito não foi outro senão eternizar o regime corrupto e torcionário que domina a Colômbia contra os interesses da sua população. Mas não parece que o Meia Hora se atreva a dizer que Uribe tenha sido “coroado” ou “eternizado” no poder. [fonte]

Presidente iraniano deseja laços mais fortes com países africanos


Nairobi - O Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, apelou quarta-feira aos países africanos para ignoraram as críticas dirigidas ao seu país a fim de aproveitar ocasiões disponíveis de reforçar as suas relações políticas e diplomáticas com o Irão.

"É possível entulhar-se o fosso entre os países em desenvolvimento e os países desenvolvidos, desde que os primeiros ignorem os clichés que os impedem de cooperar com o Irão", declarou o chefe do Estado iraniano durante um encontro com o primeiro-ministro queniano, Raila Odinga, no termo da sua visita de dois dias ao Quénia.

Ele indicou que os obstáculos que impedem a progressão dos países em desenvolvimento na Ásia e em África são estereótipos que é preciso ignorar.

O estadista iraniano estimou que os países em desenvolvimento têm uma pontencialidade forte que, se utilizada, pode permitir-lhes ultrapassarem os desafios que se apresentam em matéria de desenvolvimento.

Na sua óptica, os países do Terceiro Mundo podem ultrapassar estes obstáculos reforçando a sua cooperação e pondo em comum os seus recursos.
"Podemos por exemplo reforçar a cooperação entre o Quénia e o Irão em todos os domínios do empreendimento humano pois é através destas trocas que nos poderemos ajudar mutuamente a desenvolver-nos", sublinhou o Presidente do Irão que têm relações difíceis com os Estados Unidos de América que lhe impuseram sanções por suas tentativas de instalar infra-estruturas nucleares no seu próprio território.

Por sua vez, o primeiro-ministro queniano realçou as relações entre o os dois países, declarando que os dois têm ideias similares sobre no tocante a questões internacionais.

Falando da Palestina, Odinga sublinhou que o Quénia e o Irão são favoráveis à criação de um Estado palestino, conforme indica um comunicado dos seus serviços de apoio divulgado quarta-feira pela imprensa.

O chefe do Governo queniano acrescentou que o Quénia apoia igualmente o Irão na sua busca do progresso tecnológico, incluindo o seu programa nuclear. [fonte]

Irão pede ajuda para se aproximar dos EUA


O Irão pediu ajuda a Ancara para restabelecer relações com os Estados Unidos, após 30 anos de relações conflituosas, declarou o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan numa entrevista ao diário britânico Guardian, publicada esta terça-feira, refere a Lusa.

O primeiro-ministro turco indicou que os responsáveis iranianos fizeram esse pedido enquanto o presidente George W. Bush ainda era presidente dos Estados Unidos.

Na altura, Erdogan transmitiu a mensagem dos iranianos à Casa Branca.

«O Irão deseja realmente que a Turquia desempenhe tal papel. Se os Estados Unidos também o quiserem e nos pedirem para desempenhar esse papel, estamos prontos para fazê-lo», declarou Erdogan, numa entrevista concedida no seu avião ministerial, enquanto viajou para Mardin, no sudeste da Turquia, para uma eleição local.

«(O Irão) disse que se acontecesse algo do género (uma oportunidade de aproximação), desejava que a Turquia desempenhasse um papel», indicou.

Em Novembro de 2008, Erdogan indicou que o seu país podia desempenhar um papel positivo enquanto mediador nas negociações bloqueadas com o Irão na sequência do seu programa nuclear.

O primeiro-ministro turco não indicou, no entanto, se recebeu uma resposta da administração norte-americana relativamente a esta oferta. [fonte]

Irão vai fazer teste à central nuclear de Bushehr


O regime iraniano agendou para amanhã um teste de "software" da central nuclear de Bushehr, no sudeste do país, construída e alimentada pela Rússia e cuja operacionalidade está prevista para não mais tarde que o final deste ano.

O anúncio da “pré-comissão” foi feito hoje pela Organização de Energia Atómica (AEO) iraniana, com o seu porta-voz, Mohsen Delaviz, citado pela agência noticiosa RIA Novosti, a precisar que o presidente da energética nuclear estatal russa Rosatom, Serguei Kirienko estará “presente na cerimónia”.

O vice-presidente da AEO, Mohammad Saidi, indicara já na véspera que esta constitui uma “fase preliminar” à entrada em funcionamento da central – cuja operacionalidade tem sido sucessivamente adiada, desde que, no lançamento do projecto em 1998, foi agendada a sua plena laboração para o final de 2006.

Entretanto, porém, a Rússia – que não apenas está a construir Bushehr como a fornecer-lhe o necessário combustível nuclear (desde finais de 2007) – veio impondo uma série de atrasos, justificando-se com faltas de pagamento por parte de Teerão.
Inúmeros analistas consideram, porém, que tal se deve à pressão ocidental, de onde emergem suspeitas de que o Irão está a tentar desenvolver um programa nuclear com propósitos bélicos.

Teerão mantém que o seu programa de enriquecimento de urânio se destina exclusivamente à produção de energia e recusa-se a ceder às pressões internacionais para que o abandone. A questão pode vir a tornar-se num dos “calcanhares de Aquiles” das relações entre a Rússia e os Estados Unidos. [fonte]

AIEA satisfeita com Teerão

O Irão está a cooperar bem com os inspectores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).

A informação é avançada, em comunicado, pelo próprio organismo das Nações Unidas.

A AIEA nota que Teerão está, agora, a apresentar mais relatórios sobre urânio enriquecido.

O país de Ahmadinejad nega que esteja a construir armas nucleares, mas a comunidade internacional está atenta.[fonte]

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Discurso do presidente da República Islâmica

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Teerão apela ao “desarmamento global”

O Irão propôs hoje “negociações globais” com vista a um “total desarmamento nuclear”, defendendo que a eliminação destas armas é a “única garantia contra o seu uso ou ameaça de uso”.

A proposta foi apresentada pelo embaixador iraniano nas Nações Unidas, durante a Conferência de Desarmamento a decorrer em Genebra e antecede mais um relatório da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) sobre o dossier nuclear da República Islâmica.

“A existência de armas nucleares significa, simplesmente, que todos os Estados vão continuar a viver num permanente sentimento de insegurança”, disse Alireza Moaiyeri. “Nesse contexto – acrescenta – o principal objectivo da Conferência deveria excluir esta fonte de insegurança e estabelecer um mundo livre de armas nucleares.”

Segundo Moaiyeri, Teerão apoia o início de conversações sobre um tratado para interditar a produção de plutónio e urânio altamente enriquecido, necessários ao fabrico da bomba. Tal pacto deveria abranger os “stocks” existentes de material físsil e a sua futura produção, acrescentou o embaixador.

A Conferência de Desarmamento não tem conseguido chegar a um consenso para negociar qualquer pacto global desde que, nos anos 1990, concordou proibir as armas químicas e as explosões nucleares subterrâneas.

Diplomatas presentes na Suíça exprimiram optimismo de que a nova Administração norte-americana possa levar a um maior dinamismo, uma vez que o Presidente Obama se comprometeu, publicamente, com um maior desarmamento nuclear. [fonte]

Irão: decide por ti mesmo

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Larijani: Irão está disponível a falar com os EUA "sem condições prévias"

O presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, anunciou hoje que Teerão está pronto a discutir com os Estados Unidos, “sem condições prévias” desde que os americanos apresentem “um conceito” para este diálogo.

“O diferendo sobre o [programa] nuclear não é um problema insolúvel se deixarmos de estar entricheirados nas nossas posições actuais. Estamos prontos para discutir sem condições prévias, mas para isso precisamos de um verdadeiro ponto de partida”, declarou o representante iraniano, em entrevista ao jornal alemão “Suddeutsche Zeitung”.

Larijani foi o representante iraniano à conferência de segurança de Munique, onde ouviu ontem o vice-presidente norte-americano dizer que os Estados Unidos estão “prontos a falar” com o regime iraniano e dar-lhe uma escolha muito clara: “mantenham o rumo actual e conhecerão a pressão e o isolamento; renunciem ao vosso programa nuclear ilegal e a apoiar o terrorismo e receberão contrapartidas importantes”.

Numa clara reacção a este discurso, o responsável disse que “se os americanos estão verdadeiramente dispostos a resolver os problemas então devem apresentar-nos um conceito”, pois até ao momento “não foi apresentada “nenhuma oferta concreta”. Apenas ouvimos “declarações em entrevistas e em discursos” e isso é insuficiente, sublinhou.

Larijani lamentou ainda que os americanos digam “que estão prontos a falar sem condições prévias” mas continuam “com os mesmos ‘clichés’ da cenoura e do pau, ao ligar o início de conversações à suspensão do programa nuclear iraniano, actualmente centrado na fase de enriquecimento de urânio.

A concretizar-se esta disponibilidade das duas partes, interromper-se-á um silêncio de três décadas entre Washington e Irão, que cortaram relações diplomáticas na sequência da revolução Islâmica de 1979. [fonte]

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Irã coloca em órbita o primeiro satélite Omid

O Irã disse que o primeiro satélite próprio, lançado pelo país na terça-feira, tem fins pacíficos e que todas as nações deveriam se beneficiar deste tipo de tecnologia. O satélite foi colocado em órbita com a ajuda do foguete Safir-2.

"A tecnologia do satélite tem fins puramente pacíficos, para atender às necessidades do país", disse Manouchehr Mottaki, ministro das Relações Exteriores do Irã, em uma entrevista coletiva antes da cúpula da União Africana, em Adis-Abeba. As informações são da agência BBC.

O lançamento do satélite Omid (esperança) marca o aniversário da Revolução Islâmica de 1979.

A tecnologia balística de longo alcance usada para levar os satélites ao espaço também pode ser usada para o lançamento de armas, embora o Irã afirme não ter intenção de fazer isso.

"A diferença entre o nosso país e os outros que têm essa capacidade é que acreditamos que a ciência pertence a toda a humanidade", disse. "Algumas pessoas acreditam que as tecnologias avançadas pertencem somente a alguns países".

Mottaki disse que a capacidade militar do Irã é somente defensiva.

"Na história do Irã, nos últimos 100 anos, você não pode apontar nenhuma agressão cometida pelo Irã contra qualquer outra nação", disse.

"O povo iraniano ama a paz. Eles querem paz com todos os países do mundo". [fonte]

Reunião sobre o Irão termina com apelo à cooperação à República Islâmica

Representantes do Grupos dos Seis, que junta os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha, pediram ao Irão que cooperasse com as exigências da ONU em relação ao seu programa nuclear, num encontro hoje, em Wiesbaden (Alemanha).

Na sua primeira reunião desde a tomada de posse de Barack Obama como Presidente dos EUA, os Seis congratularam-se ainda com a oferta americana de conversações directas com a República Islâmica.

Os grupo de Seis países vai “consultar os próximos passos enquanto a Administração americana leva a cabo uma revisão de política”, segundo um comunicado divulgado a seguir ao encontro. Uma nova reunião deve realizar-se após esta revisão em Washington, que deverá acontecer em Março.

Na véspera do encontro, o Irão lançou um satélite no que chamou “um grande avanço na tecnologia espacial”, para coincidir com o aniversário, na próxima semana, dos 30 anos da revolução islâmica que derrubou o Xá Reza Pahlavi, apoiado pelos Estados Unidos.

A tecnologia poderá ser usada para fins militares, e por isso causou apreensão o seu lançamento, justamente na véspera do encontro de hoje dos Seis, apesar do Irão garantir que não usará esta tecnologia para fins militares. A República Islâmica também garante que o seu programa nuclear tem apenas fins civis, mas para terminar as dúvidas a ONU pede que o Irão suspenda a actividade que poderá permitir fabricar a bomba atómica, o enriquecimento de urânio.

Teerão tem negado fazê-lo, argumentado que quer dominar todo o ciclo de produção nuclear, e por isso a República Islâmica foi já submetida a várias rondas de sanções das Nações Unidas. [fonte]

Os Mujahedin do Povo e a política dos EUA para com o Irão

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Iraque determinado na expulsão de membros dos Mujahedin do Povo

As autoridades iraquianas afirmam estar determinadas no encerramento do Campo Ashraf e na extradição dos membros da MKO (Organização dos Mujahedin do Povo) com base nas alegações de que estes têm levado a cabo acto de terrorismo.

Numa entrevista dada na passada sexta-feira o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, revelou que o governo irá implementar medidas parlamentares de modo a expulsar os membros da Organização dos Mujahedin do Povo (MKO) a bem das relações Bagdad-Teerão.

“O Iraque está determinado em acabar com esta organização uma vez que esta está a afectar as relações entre o Irão e o Iraque. Esta organização participou em muitas operações que afectaram civis iranianos e iraquianos”, revelou.

“Continuar no Iraque não é uma opção para eles”, afirmou al-Maliki.

Bagdad tinha já anteriormente, num comunicado datado de 22 de Dezembro de 2008, anunciado que os membros do MKO presentes no Campo Ashraf deviam encerrar o seu campo de treinos e abandonar o país no prazo máximo de seis meses.

O Iraque elaborou também uma lista de membros do MKO que devem ser levados a julgamento pelas operações que têm levado no país. A organização é conhecida pelo seu auxílio prestado ao anterior ditador, Saddam Hussein, no massacre dos curdos iraquianos.

O primeiro-ministro iraquiano realçou que o seu país não cederia às exigências por parte dos EUA de manter Teerão isolada no que diz respeito às suas actividades nucleares.

“Washington jamais poderá persuadir o governo iraquiano a isolar a República Islâmica nem qualquer outro país da região, já agora”, referiu o primeiro-ministro iraquiano.

“Manteremos a colaboração com os países vizinhos de modo a promover os nossos laços regionais, de acordo com a nossa política externa e os nossos direitos constitucionais”, acrescentou.

Está agendada uma visita do primeiro-ministro iraquiano à República Islâmica do Irão neste mesmo Sábado.